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A lista negra, de Jennifer Brown


Em algum momento de nossas vidas sofremos ou presenciamos o bullying de alguma forma. Lembro que no colégio eu era a gordinha da classe e algumas vezes os colegas tiravam sarro, lembro também que eu chorei e lembro ainda que fiquei com raiva de mim e deles. Crianças podem ser más, não porque elas são más em si (pelo menos a maioria), mas elas não conseguem deixar de falar o que pensam.

De alguma forma não deixei essas "brincadeiras" me abalarem, porque no outro dia estávamos brincando todos juntos novamente. Crianças são engraçadas não são?

Mas bullying é sério. É sério porque dependendo da forma que é feito ele gera consequências, não é a toa que estamos encarando uma "época" diferente. Nos tempos atuais estamos lidando com crianças e adolescentes que pensam diferente, é outra cabeça comparada a algum tempo atrás. Talvez estamos cada vez mais desunidos, pensando em nós mesmos e nos lixando para com o que o outro sente ou vai sentir. Talvez o outro esteja passando por momentos difíceis e o que falamos dói lá no fundo. Talvez nunca saberemos.

A lista negra é um daqueles livros que mexe com a gente. Porque lá no fundo, em algum momento da nossa vida, tivemos uma lista negra de alguém que implicava com a gente na escola, de um professor chato ou até mesmo daquela comida que não gostávamos. Mas é uma lista que nunca mostraremos à ninguém.

Quando nos envolvemos com alguém é porque alguma afinidade temos com a outra pessoa. É gostoso termos os mesmos gostos e isso acontece também quando duas pessoas estão machucadas. Duas almas machucadas sentem a dor do outro e ficando juntas é reconfortante. Foi o que aconteceu com Valerie e Nick, mas Nick estava tão mais machucado que a dor de Valerie não curaria a dele. E ele teve que fazer o que fez.

Apesar da tragédia, este é um livro de recomeço. E não é um recomeço fácil, porque Valerie tem que seguir sua vida voltando à escola e aos colegas que sempre fizeram bullying com ela, encarar sua família que está arrasada e de alguma forma mostrar que ela não queria que aquilo acontecesse. 

Recomeços não são fáceis, e não será para nenhuma das partes. Confiança quebrada demora para ser reconquistada e, as vezes, nunca é. Vidas perdidas nunca terão uma nova chance de fazer o certo. Mas quem ficou pode fazer diferente, pode repensar nos atos cometidos e melhorá-los. 
"Não sei se é possível fazer as pessoas pararem de odiar. Até pessoas como nós, que viram em primeira mão o que o ódio é capaz de fazer. Nós todos fomos feridos. E vamos continuar com essas feridas por muito tempo. E nós, mais que qualquer um, iremos procurar uma nova realidade todos os dias. Uma realidade melhor."
Feridas abertas demoram a cicatrizar, mas em algum momento sara. Talvez não por completo, de vez em quando ela pode coçar. Mas temos que seguir a nossa vida por mais difícil que seja ou esteja. As pessoas nem sempre serão boas. Nós não somos bons cem por cento, mas temos uma capacidade muito bonita que podemos colocar em prática que é a de perdoar.

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