A cura do amanhã

julho 01, 2016



Nem tudo na vida chega com razão e muito menos se vai com algum sentido...
A gente tenta disfarçar que não se incomoda, mas esta própria camuflagem é o incômodo que pulsa...
Pulsos que multiplicam a cada minuto que são sentidos na circulação, da cor vermelha como o sangue. Este mesmo que vejo a cada semana que vou parar no hospital.
Não é doença que acomete o físico, é a mente conturbada que engana os sentidos e adoece o coração.
Um dia disseram-me que nada precisa de sentido para que possa acontecer. Talvez isso também tenha sentido. Mas eu não quero o nada...
Pode ser que seja um agente patogênico incomodando o ego da existência a fim de confundir os sintomas de uma pessoa saudável.
Sinto o gélido entrar nas minhas veias, falta pouco... Mas adianta tudo isso?
Preciso me alimentar de bons modos e do silêncio apagado por minhas repetições...
Devo me aquietar... Mas como? Quando algo grita dentro de mim a ponto de explodir?
Os dias são me dados com inquietude, pois não me contento com o que vejo.
Daqui algumas semanas serão apenas cicatrizes de algo que nunca aconteceu. Estarei acordada de um sonho.
Curada?
Depende de mim...
Meu braço poderá sentir as picadas das agulhas que fixam o cateter, mas apenas por duas semanas. E meu coração?
Meu coração ficará com a ferida aberta de algo não resolvido. Por enquanto... Mas um dia fechará, por mais que o tempo seja muito maior.
Lembranças sim, saudades não. Nunca ouvi falar de alguém que tenha saudade do que não aconteceu.
As doses de discernimento estão sendo tomadas, talvez necessitem de repetições... Quem sabe...
Já estou mais forte...
Amanhã é um outro dia...
E eu? Restabelecida.

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