Paralelas

maio 20, 2016


Somente uma esquina
Um coração que vagava
Nos eixos das curvas
Assim divagava

Sutil alvo de sua armadilha
Preparava seu traço
Em linhas que riscava
Venceu-se pelo cansaço

Com suas certezas
Sóbrio em suas verdades
Confiscado por seus zelos
Queixou-se das subjetividades

A encruzilhada onde morava
O ébrio de sua fragilidade
Não via que de seu lado
Ela também desenhava

Ela traçava, ele apagava
Ele riscava, ela ligava
Mas ambos sabiam a direção
Que começava em uma linha imaginária

Ele fitava seu cárcere
Entre seus eixos
Planos cartesianos
Serviam-lhe de apetrechos

O que não sabia é que o amor não fazia curva
Andava em linha reta e batia à sua porta
Mas sua vista turva
Justificava porque ele não enxergava

Talvez fossem os riscos
Ou a encruzilhada
Infinita reta x e y
Sem ponto de partida ou chegada

Os traços não podiam se unir
E ambos estavam em paralela
Ela só esperava que ele, um sorriso fosse abrir
E ele, se conteve em sua mazela

Ele precisava ligar os pontos
Que estavam marcados na esquina
E ela com seu traço perfeito
Não entendia sua sina

Uma paralela nunca se une
E um ângulo se formava
E como era de costume
Na curva ele estava

Enquanto o plano se comprazia
Sua geometria encabulada
Ele só precisava olhar com alegria
Aquela que em linha reta se encontrava

Foi por ele que ela traçou
Infinita em seu risco
E junto com seu amor deixou
O que para ele era só um rabisco...

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