Casulo

abril 29, 2016

Entre os galhos de roseira ele apareceu.
Trancafiado em seu caminho...
Só, entre o barulho das folhas.
Murmúrios das lamentações que confundiam sua mente...
Convincente de que estaria apenas numa etapa da metamorfose, fechou-se.
Não poderia sentir o perfume das rosas se não saísse dali. Mas queria sair?
Constantemente silenciava suas mudas e a cada momento gritava sua inércia.
Quanto mais congelava seu coração, mais vazio de si ficava.
A brisa tocava as folhas de onde ele se escondia clamando para que ele saísse de seu mundo... Ele não ouviu ou não quis...
Precisaria de um tempo para absorver o apreço de uma oportunidade...
Assim perdeu o pôr do sol diversas vezes.
O vento soprava o galho e o balançava, mas ele não sentia. Sentir seria sua sina pra sair de onde estava...
O tempo passou e ele já não pode mais ser o mesmo. Perdeu momentos que poderiam ser fundamentais para seu processo de aprendizado, mas estes não podem ser reescritos, mesmo que ele resolva sair.
Um dia não haverá rosa, folhas e nem galho, ele sabe disso. Mas é cômodo não pensar pra não amar.
Talvez não veja a luz que irradia num raio de sol, ou esconda um brilho dentro de si e ele nem saiba disso.
Lá está ele...
Frio, estático e incompassível num galho ingênuo de roseira, aguardando mais um inverno...

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