A gente demora

abril 15, 2016

O café está na mesa e, como o afeto, se a gente demora, ele esfria...
O afeto foi lançado, mas se a gente não o encontra na hora do arremesso, perde-se...
Por que deixar ir?
Não há pausas para entendimentos, a gente está muito ocupado parado na vida.
A mesa está posta naquela mesma rua, mas se a gente demora, retira-se...
O convite foi feito, este sincero; mas a gente demora... Este não existe mais.
A oportunidade palpita nas extremidades da certeza, mas se a gente demora... Nem certo estamos.
Inquietos, saímos de nós.
Pegamos a capa de chuva para nos proteger do sol.
Olhamos para o céu para que alguma nuvem molhe a terra seca dentro do nosso ser, mas ainda não estamos preparados.
Temos horário pra ser alguém e não somos nada. Quando a gente demora...
Desaceleramos...
Mudamos rotas...
Não podemos mais andar com os mesmos pés.
O relógio já marca um certo horário.
O coração não bate com a mesma intensidade...
O compasso diminui...
A gente demora e acha que é coisa da vida e que tudo é exato.
Esquecemos que a exatidão pode ser definida na coerência e somos incoerentes por termos foco, mas nem sabemos em quê.
Ouvimos que ainda temos muito tempo pela frente, mas quanto tempo?
Chega de sonhar no obscuro...
Retiro a mesa.
Não ouso em dizer.
Concluo que demoro-me também, mas não é somente minha culpa.
Os olhos cerram-se.
Tenho que dormir.
Porque a gente demora...

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