Velho amigo

março 27, 2016


Não há devaneios apenas formas de zelo que inebriam meus pensamentos.
Tão sentimental pra ser humano...
Tão inteligente pra ser irracional.
Assim ele era...
Lembro-me das brincadeiras: carinho que foi dado sem pedido de retribuição.
Apenas um olhar.
Sem fala, mas com gestos; assim a linguagem estava sendo entendida.
Expressão de amizade e afeto real.
Um dia percebi que seus olhos estavam perdendo o brilho.
Eu queria ter visto com aqueles olhos ao menos um segundo antes deles cegarem.
Com o mesmo apreço.
Era cuidado e comprometimento.
Jardim de uma só flor....
Ouvidos sensíveis ouvindo ao chamado.
Tão especial...
Mas como a grama, foi perdendo seu verde. A esperança do ‘dure para sempre” era minha, apenas minha. Ele já sabia...
O peso dos anos tomaram conta de seu ser, mas nunca de seu coração e iam culminando à medida que seus olhos ficavam mais esbranquiçados.
Firme de si e preparado.
Alegria de poucos anos bem vividos.
Companheiro de jornada.
Hora da partida, dolorida...
Era amigo, não pessoa.
Último suspiro e seus olhos fecharam-se...
Hoje, quando chove sou eu que tenho medo por não poder ver as estrelas.
Pois sei que tu se escondes no meio de uma delas.
Nova estrela no céu.
Amigo fiel.
Velho amigo, adeus.

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