Sarah e a insônia

novembro 03, 2015


Sarah sabia que tinha que dormir, pois no dia seguinte teria que levantar bem cedo. Trabalhar em outra cidade requeria certos sacrifícios, mas ficava feliz de voltar pra casa enquanto ainda havia o sol da tarde. Mandou as últimas mensagens para os amigos. Percebeu que ele estava mais quieto que o normal, mas espantou os pensamentos negativos e foi dormir.

Mas naquela noite algo aconteceu de errado. Ela não sabe dizer se foi por causa do dia que teve ou por causa do novo horário. Acordava o tempo todo e não conseguia dormir. Pensamentos de todos os tipo e sonhos malucos bombardeavam-na.

Primeiro ficou um tempo olhando para o vazio do teto quando deitou. Ela tinha mania de pensar nos acontecimentos do dia. Relembrou de toda a conversa e os lugares onde foram. Lembrou que precisava fazer um comentário do restaurante para a página que mantinha com os amigos. Lembrou também com carinho que ele voltou com ela lá para que conseguisse tirar uma foto decente do local. Achou um ato bonito da parte dele.

Virou para o lado. Lembrou com um pouco de incerteza que ele demorou pra responder à ela se havia chegado bem. Não, ela estava cultivando pensamentos negativos. Isso não era bom.

Virou para o outro lado. Mas e se ela havia feito ou dito algo que ele não tinha gostado? Tentou lembrar de tudo o que tinha feito e dito. Lembrou que tinha falado que não gostava muito de crianças. Era verdade. Não que ela odiasse crianças, mas ela não tinha muito jeito para elas. A única criança da sua vida era o primo de cinco anos que nutria um amor platônico por ela. Achava muito engraçado.

Nesse meio tempo, entre pensamentos, ela adormeceu. O sonho que teve foi estranho. Não conseguiu lembrar após ter acordado, mas era um amontoado de pensamentos misturados com sonhos. Acordou com o braço direito dormente, havia dormido em cima dele, movia os dedos, mas não sentia os movimentos. Bateu o cotovelo na parede e não sentiu a dor, mas sentiria mais tarde.

Com a circulação voltando ao braço, virou para o outro lado. A luz que entrava pela janela do poste na rua era reconfortante. Um zunido de inseto invadiu o quarto. Só faltava essa para lhe perturbar o sono. Foi ficando mais alto conforme chegava mais perto de seu ouvido. Espantou com o mão e o silencio reinou.

Agora havia um cão chorando em alguma casa vizinha. Lembrou-se que a vó, um dia, dissera que isso não era um sinal bom. O povo antigo tinha suas crenças e ela acreditava nelas. Estremecendo, cobriu-se mais um pouco. Era uma noite fresca, mas sentiu essa necessidade de proteção.

Demorou um tempo até que Sarah conseguisse dormir novamente. Mas logo seus sonhos foram perturbados pelo despertador. Eram quinze para as seis, hora de levantar. Desligando-o virou para o lado, mas não voltou a dormir. Sentiu os olhos pesados. Com um grande esforço, sentou-se na cama e se alongou. Aquele seria um dia difícil.

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