O pescador não pode mais pescar

novembro 27, 2015


Seu José era um pescador, e toda semana tirava o sustento de sua família nas atividades de pesca. Ele tinha uma canoa, carteirinha de pesca registrada no Órgão ambiental e toda consciência de usufruir apenas o que lhe fosse suficiente. Sempre atento à época da piracema... ...Seu José era amigo do meio ambiente.
Somente os peixes de porte médio serviriam, pois seria crueldade pescar peixes tão pequenos... Pensava ele.
Seu José era feliz...
Ele tinha uma pequena casa num povoado de Minas Gerais... Minas não tem mar, mas os rios que tem possuem uma riqueza infinita...
A família de Seu José era constituída de 5 filhos e uma esposa doentia, mas era uma família feliz...Pois o pão nunca faltava na mesa, por mais que a simplicidade tomasse conta do seu lar.
Hoje, Seu José não pesca mais, não possui sua casa, nem esposa e nem seus filhos...
Era um dia desses que parecia igual há tantos outros...
O que era um espelho virou barro...
O rio virou lama e dizimou peixes e tantos outros animais que acompanhavam a canoa de Seu José nos dias de pescaria...
Não foi a doença que levou sua esposa, mas a lama...
A lama não só levou sua esposa, levou também seus filhos, sua esperança e seu coração...
Quem irá trazê-los de volta?
Quem é culpado?
Quem grita por justiça?
Foi a lama da ganancia do homem que levou a vida de seu José... Pois quando se perde o que ama a vida se torna mórbida, na real forma que o ser humano foi feito para amar...
Seu José morre aos poucos... E sente-se culpado por não ter ido também...
Mas não só ele...
Todos que trabalham e tentam sobreviver...
Era uma vez um pescador que tinha sonhos para os filhos e esposa...
Era uma vez um povoado...
Era uma vez um rio...
Era, porque nada existe mais...

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