Sarah e o encontro (Parte II)

outubro 29, 2015


**Leia aqui a primeira parte do encontro de Sarah.

A praça tinha poucas pessoas, idosos na maioria que gostavam de sentar à sombra das árvores que se encontravam lá. Era refrescante e estava ventando muito naquela tarde. Algumas crianças com sorvetes e pais conversando entre si.

- Estarei num carro azul - dissera ele. Sarah olhou em volta e não viu nenhum carro com as descrições que ele passara. Ainda não havia chegado. Ela escolheu um banco em baixo de uma frondosa árvore e esperou impaciente e ansiosa.

Uma mensagem de celular chegou e ela abriu novamente o sorriso. Ele estava estacionado do outro lado praça. Não disse com essas palavras, pois ele não sabia onde ela estava, mas pela localização que havia passado, ela sabia onde encontrá-lo e caminhou até lá.

Aqueles poucos metros pareceram longas horas. Insegurança, incerteza, será que ele era igualzinho da foto? Não, era melhor, ela logo percebeu ao chegar perto do carro. O que ia achar dela? Nada de fazer piadinhas sem graça. Falar de livros? Filmes? Do tempo? Sempre falava do tempo por falto de assunto ou iniciar uma conversa, todos falam do tempo. Está quente. Está ventando. Seja você mesma.

Chegando perto do carro eles se olharam. Ela deu um tchauzinho tímido, meio que para mostrar que era ela ali. Ele saiu do carro e veio ao encontro dela. Era alto. Isso é bom, pois nos antigos relacionamentos dela, sempre o cara era ou do seu tamanho ou menor. Isso era algo que ela havia abolido no futuro. Já chega de caras baixos, né?

- Prazer - ele disse. Ela sorriu. Entraram no carro. Ela agradeceu, pois estava com fome. 

Almoçaram num local que ela sempre passava em frente, mas nunca parou para desfrutar. A correria do dia era a desculpa. Comida de fogão a lenha, essa é das boas. Tudo gostoso e refil infinito de suco de laranja. Claro que não conseguiram beber tudo que estava na jarra, mas quem liga? O lugar e companhia eram bons. E a sobremesa também. 

Conversa vai. Conversa vem. Tarde quente pede sorvete e lá foram os dois escolher os sabores. Conversaram mais. Andaram um pouco. A cidade é quente demais e vejam só, podaram as árvores da rua até o tronco, não tem nenhuma sombra para refrescar. Que tristeza, essa tal de prefeitura. E a desculpa? A mais idiota possível.

- E agora, onde quer ir? - odiava que perguntassem isso pra ela. Ela nunca sabia pra onde ir, principalmente se estava em outra cidade e não a sua. Não vinha nada à mente, então disse a coisa mais sem graça que podia. Casa.

Como que para amenizar o que tinha feito, conversaram sobre um assunto que fora badalado nos jornais nas últimas semanas. Como ela não sabia muito sobre o que tinha acontecido, ficou ouvindo ele falar. Ela gostava de ouvi-lo.

Chegaram na praça que fora o ponto de partida desse dia. Ventava muito e ela teve que segurar a saia para não mostrar demais. Sentaram na praça e conversaram mais um pouco. Gostou da companhia e o que haviam feito. Mas ele tinha que ir embora e isso a deixou um pouco triste, mas ao mesmo tempo feliz. Ainda não sabia dizer se ele havia gostado de sua companhia ou não.

Ele disse que a levaria em casa e lá se foram. Em poucos minutos já estavam quase na porta, ele parou o carro um pouco afastado. Esperto. Fizeram as mesmas perguntas. Ele tinha gostado dela, dissera. Ela ficou feliz, pois também sentiu o mesmo. Ele chegou perto. Ela prendeu a respiração. Um beijo começou.

Sarah quase havia se esquecido como era um beijo e ficou impressionada em saber que conseguia fazer aquilo ainda. Era tão úmido e intenso. Ela sentiu que estava flutuando. Era bom. Momentos depois os lábios se separaram e ela voltou a realidade. Mas não queria. Mas ele precisava ir. Está bem. Não pode ter um segundo beijo? E teve um segundo beijo. Mais intenso do que o primeiro se querem saber. E foi bom. Se despediu e caminhou até a porta da casa. Olhou pra trás e deu o segundo tchauzinho tímido do dia. Ele foi embora.

Entrando em casa suspirou. E colocando a mão no rosto uma rodada de pânico invadiu-a no mesmo instante. Havia beijado ele com os óculos escuros. Burra, burra, burra! Quem na vida beija alguém desse jeito? E a troca de olhares? E as faíscas? Achando que havia estragado o dia depois daquele ato descabível, foi pro banho.

Você também pode gostar

0 Comentários

Like Us on Facebook

Youtube