Rádio de pilha

setembro 18, 2015


Foi num desses finais de semana que peguei o carro e fui visitar meus pais...
A vida fez com que eu saísse cedo de casa para amadurecer a criança que eu era...
Conferi todas as coisas se estavam em ordem: tablete, Smartphone, modem, e claro, o carregador dos aparelhos.
Como todo fim de semana deparei com meu pai na porta me esperando...
Uma das coisas mais singelas quando se mora longe é que quando recebemos o abraço de um pai, não queremos sair mais. Ah! Aquele perfume que papai passa e deixa a casa inteira aromatizada...
- Onde está mamãe? Perguntei com toda delicadeza...
-Está na cozinha. Ele me respondeu. Na porta eu já sentia o cheiro doce do café.
Dentro da bolsa junto com meus aparelhos, trazia também rosquinhas amanteigadas que meus pais gostam.
Foi quando pedi a benção de costume e vi que mamãe mexia no rádio mudando a frequência...
Eu nem me lembrava daquele velho rádio de pilha. Achava que mamãe já tinha se desfeito dele.
Tirei meu celular da bolsa e fui ver as mensagens que chegavam sem parar, enquanto mamãe coava o café e pegava a esponja de aço pra colocar na ponta da antena.
Começaram a tocar músicas de décadas passadas. Talvez do tempo que minha matriarca era criança...
Ela saboreava uma rosquinha e tomava o café.
Fiquei a observá-la enquanto apagava as mensagens de meu celular...
-Nossa mãe esse rádio é tão velho! Eu disse sem querer.
E colocando café na minha xícara, olhou enviesado e me respondeu:
-Quando você era criança, não tinha nada dessas coisas. Nem telefone fixo! A televisão depois de um bom tempo que compramos e ainda era preto e branco. Colocávamos aqueles papeis coloridos na tela pra fingir que tínhamos TV em cores. E esse velho rádio de pilha era o que lhe fazia dormir toda noite quando eu sintonizava naquelas músicas que acredito que você não ouve mais.
Fiquei perplexa com aquelas palavras, pois com meus 30 anos eu não aprendi  o que deveria...
As pequenas coisas estão nas formas mais simples. Cheguei nesta conclusão. Embora precisasse dos meios estava me tornando escrava deles...
Ainda existe um mundo belo pra ver, ouvir e apreciar...
Pois o que eu preciso está perto de mim...
Desliguei o aparelho e fui ouvir as músicas com minha mãe, e percebi que seus cabelos já estão tão brancos!
E eu gastando meu tempo com coisas desconhecidas e incertas...
O essencial tão próximo a mim, codificado em trilhas sonoras de um radinho de pilha...
Mas que sintonia era aquela?
Com um abraço mamãe me disse: A sintonia do coração.  Basta saber ouvir...
Mas o final de semana já findava. Hora de ir embora...
Cadê meu celular?

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2 Comentários

  1. Que lindo!!!!
    adorei as vezes é bom parar a correria , se desconectar de tudo e estar próximo as pessoas que amamos!!!

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    Respostas
    1. Obrigada! Rádio de Pilha serve pra gente refletir à vida. Mas a vida de verdade! Grande abraço.;)

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