Palhaço

setembro 11, 2015

Ninguém sabe o que ele traz consigo, apenas esperam ansiosos para ver o que ele tirará da imensa mala com bolas coloridas...
Todos veem apenas o que ele demonstra, mas ele não mostra o que sente...
Atrás da flor que ele entrega para a moça bonita está a imaginação de algo que poderia ser verdadeiro...
Entre gargalhadas que fazem a “barriga doer” imaginam que não existe alguém mais feliz do que ele e os olhos dessas pessoas brilham de tanta alegria.
Alegria fantasiada em momentos espalhafatosos. 
Mas não o conhecem...
Seu rosto pintado esconde sua amargura...
Nos  bastidores existe a tristeza perante suas gargalhadas.
Há alguém além daquele que ele aparenta e bate um coração solitário que culmina o brilho da luz de uma grande alma.
A felicidade de outros é sua sina e a mágoa tormenta do espetáculo.
Poucos sabem que ali bate um coração e que existe uma grande pessoa escondida naquele nariz vermelho...
Uma vida singular e duas identidades...
O esforço de levar felicidade é uma labuta sua...
Pobre homem! Todos pensam que só existe alegria dentro de todas as gargalhadas de cada espetáculo...
Mas o palco da vida lhe traz angústias...
Longe do picadeiro existe um ser humano cheio de grandes sonhos, em busca de colorir sua vida...
Ele é mais um entre tantos... Um José, um João e tantos outros da Silva...
Mas quem consegue pintar um coração?
Alguém perguntou se ele é feliz?
Um homem que tem que sorrir mesmo triste, pois necessita da contagiante harmonia dos risos para garantir sua vida.
É ele que acorda cedo na esperança de dias melhores...
Arranca sorrisos... Sorrindo toda a tristeza que sente...
Enquanto a apresentação começa ele deixa no palco um pouco de si e leva consigo apenas os sorrisos que foram deixados.
E José sai de cena e entra Zequinha...
O show vai começar!
Aplausos...
                                                                       

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