Recolhendo folhas

abril 17, 2015


E as folhas lentamente caíam lá fora anunciando que o outono acabaria em breve para que o inverno chegasse. Cada folha no chão era uma chance desperdiçada dos tempos de outrora.
Era uma tarde, uma das tantas que esperara naquele local.
O banco descansava as lembranças que cada dia se tornavam mais escassas, mas não menos importantes.
Lembranças de dias de paz que eram estabelecidos nos momentos felizes das décadas que foram se passando... Como o relógio vital que voa depois dos 20.
Ela esperou esses anos multiplicarem e olhou pela janela colocando seu vaso de flores sobre o beiral e foi descansar.
E assim o inverno terminou.
Enquanto ele se aventurava pelo mundo na esperança de ainda encontrá-la, ela o esperava à medida que sua planta floria. 
Acabou-se mais um dia...
Amanhecera primavera e aquele banco não estava mais vazio, era ele que voltara para resgatá-la.
Um abraço e a despedida daquele lindo lugar para um novo recomeço...
O único que não esperou foi o tempo e eles agora se encontram entre as nuvens...

Hoje, alguns ainda esperam, mas não abrem as janelas. Apenas observam as folhas caírem enquanto o banco é corrompido pelo tempo...
Tenha esperança, pois sempre haverá uma janela aberta pra quem não perde a fé.
Conto com felicidade esse relato, pois ela era minha mãe e ele meu pai.
Olho para o céu e sinto que devo esperar as magnitudes da vida fazendo a minha parte.
Minha mãe nunca deixou de regar sua planta, limpar as vidraças e cuidar de seus afazeres enquanto eu crescia e esperávamos meu pai voltar da guerra.
Mamãe dizia: faça sempre o bem, independente do tempo de esperas, não importa aonde quer chegar, mas o que você faz durante o trajeto para ir a algum lugar.
Ela está em paz agora e ele também, doce encontro e singela despedida...
E eu espero tentando ser o melhor que posso enquanto recolho as folhas do jardim...

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