O velhinho e o casebre

março 13, 2015


Entre as montanhas mais altas os últimos raios de sol se escondem. Nos arbustos os  grilos começam a estrilar e evidenciam a chegada de uma noite.
As montanhas contornam a paisagem dando formas à tela natural.
Os pinheiros margeiam o casebre: casa simples de madeira onde alguém mora.
Ele está só pelo cansaço aguardando a morte e esperando mais um dia se iniciar.
Mas quem é ele?
É aquele que um dia foi uma criança e depois jovem. Hoje, se esconde entre as rugas que marcam seu rosto.
É um velhinho que mora dentro daquela casa circundada pelas mais belas formas de existência, onde a brisa toca o capim gordura, mas ele não ousa sair dali.
Enquanto as aves se preparam para o descanso, ele espera a vida passar.
Já não tem a coragem de chegar à beira de sua porta e contemplar o espetáculo de um pôr do sol.
Hora de dormir...
Mais um dia com vida.
Os anos passam e deixam marcas que não podem ser apagadas, enquanto o velhinho priva algo de si os sinais do tempo pesarão em seu semblante. Não é idade, mas o que ele fez com ela.
Não existe mais quem existiu. 
Apenas um casebre de madeira habitado por cupins...

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