Bolinhas de gude

fevereiro 27, 2015


Menino levado de chinelos no pés caminha com os bolsos cheios de bolinhas de gude. 
É um soldado armado de travessuras que vem arrematando prendas para enfeitar seu palacete.
Vai o menino assoviando canções da Jovem Guarda promulgando uma época onde o tempo era a inspiração dos enamorados.
Brinca e sorri observando as pipas no céu e fixa os olhos na imensidão.
Não importa as bolinhas que perdera, mas o contentamento de estar ali.
Volta para a casa com os bolsos vazios levando a prenda do contentamento de encontrar alegria em uma derrota.
E cheio de esperança caminha, pois a mãe o espera com um delicioso bolo de cenoura.
Lá vai o garoto todo sorridente; descuido de criança que tropica arrancando a tampa do dedão e sente a dor da infância que se acaba.
Já em casa chora o menino e a mãe não pode o carregar, mas o coloca no colo acariciando seus macios cabelos.
E juntos lembram aqueles tempos em que ele enchia seus bolsos de bolinhas de vidro e saía pelas ruas. 
E conversam as memórias da infância lembradas em bolinhas de vidro....

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