O embrulho

dezembro 12, 2014


A campainha tocou... Não havia ninguém lá fora. Travessa pessoa que aperta o botão e sai correndo feito uma criança.Onde estaria?
Deixou algo estonteante. Meus olhos faiscaram naquele momento. Acredito que esse alguém tenha feito com muito esmero aquele objeto misterioso. Vibrante, exalava um perfume irreparável de seu interior. Eu não poderia desfazer daquele pacote deixado em minha humilde casa.
Uma enorme caixa envolvida num sedoso papel como se tivesse sido confeccionado em cores escarlates jamais vistas. Estava intacto. Suas dobras faziam ângulos perfeitos nos vértices e possuía um enorme laço de fita.
Vasculhei em toda sua estrutura, nenhum remetente. O que eu poderia fazer? Talvez ir dirigir-me até o correio e devolvê-lo;  mas como o carteiro deixaria algo tão grande sem que eu pudesse assinar pelo recebimento? E quem poderia deixar algo peculiar para uma senhora abandonada, triste e solitária?
Não consegui ao menos levantar a caixa do chão. Mas não poderia desfazer daquele embrulho. Seria maldade acabar com todo seu primor.
Foi quando levantei meus pés para ver o nó tão bem feito naquele magnífico laço e encontrei na fita um escrito com tinta de caneta nanquim que dizia : puxe e receba o que esperou por tanto tempo .
Fiquei assustada de início, mas a curiosidade era muito maior do que o medo.
Fui desfazendo aquele laço cuidadosamente. A fita envolvia uma caixa de 1,80m aproximadamente...
A caixa foi se desfazendo em quatro partes e de repente lá estava o meu presente de natal.
Lágrimas rolaram em minha varanda, não era uma pessoa solitária mais...
Recebi um embrulho e ganhei meu mundo de volta. Foi aquele abraço que quebrou o meu orgulho no mesmo instante.
E hoje cá estou. Faz um mês que nos casamos. Ele se afastou pra não me ver sofrer por um erro médico que acometeu sua ausência.
Não pedi explicações de sua vida enquanto esteve longe, pois sei que quem ama nunca está distante e com o tempo retorna.
A vida pode nos dar muitos embrulhos, uns com papel fino, outros nem tanto... Mas o que realmente importa é o que vem de dentro: o perdão, a chance bem aproveitada, os abraços sinceros; enfim, o amor. O resto é apenas sobra de papel que um dia embrulhou uma caixa...

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