Procissão

novembro 21, 2014


Debrucei-me na janela para ver a procissão que passava... Cantos canônicos ressoavam pelo quarteirão...
Os ipês derrubavam suas folhas e os cães uivavam acompanhando a multidão...
Estranha certeza de ser liberto pelos paradigmas que me afugentavam!
As velas iluminavam a fila que levava à capela mais próxima e as sinetas eram os únicos instrumentos que se ouviam em meio às melodias sacras...
Sonolento, deparei-me entre aquele aglomerado, solfejando as mais belas canções.
Como desci as escadas de minha pequena casa e estava ali?
Estranho, não me lembro disso...
De repente vi os morcegos rodeando o poste e as suindaras que sobrevoavam as cabeças...
Um cochilo e um leve suspiro e eu estava intacto na janela. Enquanto a procissão voltava com as velas apagadas e as corujas piavam brincando de pique com os morcegos.
Achei que fosse real, mas era; mas não foi. Contraditório talvez...
Nunca desci os degraus daquele sobrado... Mas enquanto cochilei pude observar que o que eu preciso é apenas descer as escadas...
Existem planos maravilhosos que não posso sonhar sem que eu me apresente para o mundo...
Enquanto uns dormem outros vivem...  E eu vou ficar acordado e esperarei ansioso um ano, para a próxima procissão... Se ainda estiver por aqui.
Até lá: - Muito prazer!
Sou apenas mais um na multidão. Meu nome é o mesmo no qual você responde...

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