As(sombra)ção

outubro 17, 2014


Temida por não existir, existente por não ser tocada. Levemente desfocada pela clareza do que fora preposto...
As luzes acabam quando ela as cobre com seu manto negro, basta um obstáculo para que se apodere deste incoerente rendimento.
Ao mesmo tempo é súdita das mais medonhas formas e desaparece como o sopro na chama de uma vela.
Muda, cega e intacta é perseguidora das noites e parte da escuridão.
Difunde-se pelos espaços encobertos de lona. E ainda acompanha a caminhada dos meninos e cobre-os através dos vultos deixados nas paredes das casas...
Pequena ou grande se diferencia apenas na fonte que transcende sua inexistência...
Ela está sempre com você e te acompanha... Pra frente ou para trás... Constantemente...
Implícita noturna ou diária ausente...
Visível e inexistente... Talvez ela roube os seus sonhos no inconsciente e você não queira dormir para não ter pesadelos...
Levante-se e a verá mais ávida como outrora, não é você, mas nunca foi outro alguém além de ti... Forma estranha de inexistir...
Olhe em volta e perceberá que com braços, pernas e seus mesmos movimentos aparece um eu estampado que não é um eu de verdade... E em ti um eu se cria por não ser você e é esse alguém que não deve dominar a ação de ser você em seu eu...

Cuidado! Lá vem ela fazer parte de ti...
E assim assombra a sombra...


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