Book Talk: burn, book, burn

agosto 14, 2014


Fahrenheit 451 foi um dos últimos livros que eu li. Após ler o posfácio e --- o Sr. Bradbury comenta que uma vez uma editora mandou uma carta à ele dizendo que publicariam quatrocentos contos em uma única edição com vários autores, incluindo ele. Ele questionou como colocariam quatrocentos contos em apenas um único livro e a resposta foi que seriam condensados (li essa palavra na edição da Pequena Dorrit e nunca mais saiu da minha cabeça e se encaixa perfeitamente nesse contexto hehehe).

Aí o autor deixou uma frase que jamais sairá da minha cabeça: "Existe diversas maneiras de queimar um livro". Quem leu Fahrenheit 451 sabe que a história é uma distopia onde o governo proíbe a população de ler livros e os bombeiros são responsáveis por queimá-los. Fiquei imaginando quantos livros queimados não lemos durante a nossa vida.

Ele levantou justamente essa questão de resumos e adaptações. Quando lemos o resumo de uma obra, não lemos a obra completa, não compartilhamos a mesma história que o autor passou dias, meses ou anos escrevendo. Não chegamos a ler os detalhes que compõe a obra, que muitas vezes fazem toda a diferença, para gostarmos ou não. Isso vale também para leitura dinâmica.

Não abomino quem lê apenas resumos, creio que quando se está na faculdade, os resumos salvam a vida, mas de vez em quando é preciso ler uma obra completa e captar aquilo que o autor quer nos passar.

Mas uma coisa que não entra na minha cabeça é essa tal de leitura dinâmica. Conheço blogueiros que fazem muito isso e tiro o chapéu para eles que conseguem entender. Já tentei fazer e acabei lendo todo o capítulo novamente porque me veio aquele sentimento de deixar algo para trás. Como se faz isso com livros de suspense ou terror, por exemplo? Acho que na leitura dinâmica se perde muitos desses sentimentos de frustração, medo e surpresa.

Fiz esse post justamente para levantar o assunto de edições adaptadas. Vi em algum lugar que alguém queria relançar todos os clássicos brasileiros, mas numa linguagem que o jovem entenda melhor. Essa é a mais notável arte de queimar livro.

Agora deixo a pergunta: "Quantos livros queimados vocês já leram?"

Você também pode gostar

2 Comentários

  1. Às vezes faço leitura dinâmica, mas não na velocidade absurda que os experts fazem. Ajuda sim, mas comigo a leitura tem que ser feita em blocos. 10 minutos no máximo, aí descanso uns 3 minutos e se necessário volto o texto para pegar alguma passagem que marcou.
    Já tentei ler mais tempo direto (na mesma velocidade ais baixa, umas 300 palavras por minuto) e acabei me dispersando.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Acho difícil, mas também não me sinto confortável fazendo esse tipo de leitura. Como eu disse, parece que estou perdendo alguma coisa na história. É claro que vale para vestibular e concursos, mas para leitura prazerosa não rola.

      Excluir

Like Us on Facebook

Youtube