Dia de domingo

junho 27, 2014


Tão natural como a simplicidade estampada num sorriso de um idoso. Que pega uma espiga de milho e começa a alimentar as aves. E ao debulhar a espiga as aves se achegam aos seus pés, e sem dentes ele solta um enorme sorriso, contemplando seus súditos.
É um rei entre tanta beleza esvoaçante. Suas pernas fracas saltitam a riqueza da felicidade enobrecida entre seus gestos concretos.
Mais uma etapa do dia... Hora de entrar no palacete e contemplar a beleza de uma rainha.
O fogão à lenha aceso aguarda o banquete dos herdeiros, de uma herança infinita de amor...
A fumaça escurece a parede do castelo daquela majestade que com sua coroa branca pega a viola para afinar.
Os meninos chegam eufóricos com suas máquinas de metal, deixando marcas naquele chão nutrido com os diamantes do carinho da boa educação dada a cada um deles...
Um a um acariciam a coroa do rei e puxam a saia da rainha que esquenta a barriga no fogão...
Ali agradecem pela vida que lhes é dada, pelo pão de cada dia... E repartem aquele alimento temperado com a essência do amor.
Uma tarde onde as crianças de 30, 40 anos voltam a ter 5 anos de idade e sentam para ouvir as modas de viola daquele magnânimo ser, esplêndido em sabedoria.
Entre erros de notas, risadas e cascas de laranja, restos de uma sobremesa deliciosa, o domingo vai se encurtando...
Chega a hora das crianças crescerem novamente, se tornarem responsáveis... Assim acaba o domingo...
Na estrada fica as marcas de pneus, no coração de cada filho o aperto da despedida de uma semana de espera... Nos olhos das realezas a calmaria, mas a certeza de um novo domingo próximo. E a riqueza do amor que é a fortuna de um império feito de simplicidade...
É a vida na nobre simplicidade o tesouro para ser rico sem ter muito, é milionário aquele que vê nas pequenas coisas o sentido para sorrir...
E fecharam as portas e janelas daquele castelo de tijolos batidos e foram descansar.

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