O pássaro

março 21, 2014


Sou um pássaro  e estou voando para o infinito de um futuro que ainda não tenho posse.
Passarei por nuvens brancas como algodão e outras acinzentadas ofuscando minha visão audaz.
Mas quando achei que estivesse voando  alto e planando sobre as mais belas paisagens, alguém  me prendeu.
É tão curto o espaço entre felicidade e tristeza! Segundos estava livre e agora estou preso numa gaiola que escraviza meus sonhos de migração e meu trajeto entre norte e sul.
Não consigo cantar mais e tenho pressa em sair daqui... Sinto fome de dias melhores  e sede  de um pouso seguro.  Preciso resgatar-me...
Sou um pássaro cuja espécie está ameaçada de extinção. Sou raro e fácil de ser reconhecido: possuo pernas com pés de cinco dedos, meu corpo é coberto por uma  camada de pena chamada pele, meu topete é vistoso por uma madeixa fina. Possuo um bico engraçado e pequeno... Acho que sou a maior de todas as aves que voam...
É esse meu presente, preso em minhas limitações, foi quando eu tentei voar mais alto que o passado veio à tona e me engaiolou...O passado é a gaiola da liberdade.
Não durmo à noite... Sinto falta das árvores que me acalentavam e daquela flor a quem eu decidira voar.
Fui eu quem me prendi. A tranca está do lado de dentro, mas voar seria me submeter ao medo e esquecer o passado, talvez eu não queira esquecê-lo e ficar aqui seria mais cômodo... Sei que os anos passarão. E que aquela flor não irá viver pra sempre e me esperar... É esse um dos riscos de minha solidão. Mas tenho medo de ser feliz!
Esse é meu presente... Futuro? Não tenho planos... Talvez eu saia daqui um dia e tudo estará mudado, não será mais a vida que eu esperava, mas sim o que eu escolhi pra eu...
Sou um pássaro trancado na minha própria gaiola, temendo a altura. Libertar-me seria viver...
Não consigo bater mais as asas, o passado me atormenta. Deixei que ele fosse meu esconderijo aberto... Sinto muito, mas tenho que reaprender a voar.

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