Corações feridos - Louisa Reid

outubro 11, 2013


Antes de começar a escrever sobre o livro, quero deixar claro que essa capa é absolutamente horrível e isso é muito triste, pois a história é bem comovente e bonita e poderia ter um destaque melhor. Acabando o desabafo, vamos ao livro.

Hephzibah e Rebecca são irmãs gêmeas, mas muito diferentes uma da outra. Hephzi é mais velha, mais bonita, mais aventureira. Rebecca tem a Síndorme de Treacher Collins que causou uma deformação em seu rosto. Ela sempre viveu à sombra de Hephzi por dezesseis anos. Agora Hephzi está morta e Rebecca terá que enfrentar seus monstros sozinha.

A história de Hephzi e Rebecca é muito intensa. O pai é um reverendo cruel. Para os fiéis ele é uma pessoa boa e que prega a palavra de Deus nos mínimos detalhes, mas para as meninas ele é um demônio. Por quinze anos as meninas tiveram aulas com a mãe em casa e nunca saíram, a não ser nas raras vezes em que a avó materna saia com elas, mas isso foi antes do pai saber sobre isso. O reverendo nunca gostou que as meninas se divertissem e era contra qualquer tipo de afeto. Quando elas completam dezesseis anos Hephzi decide que é hora de mudar seus ensinos e, como aparentemente é a preferida do pai, consegue que ela e a irmã estudem no colégio da cidade. Ela vê isso como uma oportunidade e começo para sair de casa e ter uma vida normal como qualquer outra adolescente da sua idade. Mas muita coisa acontece no decorrer da história e não termina bem para ela.

A narrativa é em primeira pessoa narrada ora por Rebecca e ora por Hephzibah. E cada uma tem sua personalidade identificada na história. A narrativa de Rebecca é melancólica, triste e um pouco poética, lembra um poema gótico. Já a de Hephzibah é mais alegre e cheia de energia e vida. Ambas conseguem transmitir ao leitor o que estão sentindo. Gostei dessa diferença entre a personalidade das personagem, não confunde o leitor.

Não é uma leitura fácil, pois o que acontece com as meninas é muito desagradável em quase todos os acontecimentos da história. Quando há uma pontada de esperança, ela se esvai pelo ralo e continuamos vendo o sofrimento delas. Mas não podemos perder a esperança de ver elas felizes, Hephzi nos dá muitos momentos assim. A princípio, talvez achemos Rebecca, um pouco pertinente, mas tudo tem um motivo: o medo. O medo é um ponto principal em toda a narrativa. De ambas as partes, pois percebemos que ele está enclausurado em todos os cantos.

Quando se descobre coisas sobre o reverendo, temos um choque. Como um pai pode fazer aquilo com as filhas, a revolta é quase iminente. E mesmo depois de descobrirmos os segredos por trás, nada é justificado. Fico pensando que essa não é uma história de ficção, pois o que acontece ali, pode acontecer em qualquer lugar e com qualquer um e isso é muito triste. Só achei que os personagens secundários, poderiam ter sido mais ativos depois das descobertas e não ficarem parados esperando a decisão principal.

Foi o livro mais difícil de ler. A história se impregnou em mim por vários dias. Não é um livro ruim, mas não é uma história bonita. É triste e fiquei deprimida, mas teve um final digno apesar dos pesares. Muitas coisas poderiam ter sido evitadas bem no começo de tudo, mas o medo falou mais alto. Leia o livro e tire suas próprias conclusões. 


Nota: 4/5 - ISBN: 9788581630441 - Páginas: 256 - Editora: Novo Conceito

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