O bilhete

julho 14, 2013


Achei este pedaço de papel nas coisas para doação, da falecida Dona Mah. Esta fora uma senhorinha faceira que sentava toda manhã no jardim do estabelecimento, pra tomar banho dê sol e conversar com as flores, dizia que elas a ouviam. Vivia falando em voltar, em perdão e chances desperdiçadas. Tomei liberdade em recolher esta folha entre os apetrechos da idosa, e ler o que estava nela e para minha surpresa, pude perceber que Dona Mah, não morrera por ter parado de respirar, mas por falta de perspectiva e principalmente, de coragem de enfrentar o mundo e as pessoas enquanto teve tempo.


Não me importaria se você fechasse a porta, pois eu arrombaria todas as janelas.
Não estou correndo atrás de nada, apenas quero o que me é de direito.
É proibido sonhar?
Diz-me onde eu errei e eu lhe mostrarei o que fiz de certo.
Não é insistência de minha parte, é apenas permanência de estado, e estado de espírito.
Meus vícios continuam os mesmos, ainda coleciono sorrisos...
... Mas aqui todos com muitas janelas, mas cheios de esperança.
Esse futuro interligado nas décadas anteriores é o que me transforma e me conecta com o resto do mundo.
Já andei por toda parte e espiei todas as fechaduras, isso só me serviu para tirar conclusões precipitadas.
Falo demais?   
Eu falava... Lembra? Não é por nada, é por tudo, pois a ausência do silêncio não era resposta para minha inquietude.
Disseram-me que você virou taxista! E joga truco toda tarde!
Como gostaria de jogar uma partida contigo... Sabe, ainda tenho aquelas manias de falar com as flores. Mas aqui elas são tão tristes, pois percebem o quanto eu sinto...
Estou rodeada de pessoas que me dizem o que tenho de fazer ou o que não tenho! Você bem sabe que sempre fui independente, e agora?
Dependo de muitas pessoas! Elas não têm paciência e me dão um “comprimidinho “ pra tomar toda noite, dizem que é pra que eu durma e sonhe com carneirinhos... Ah! Pensam que sou criança!
Sonho contigo, quase toda noite... Sei que está bem. Fico feliz por você.
Espero te encontrar em breve.
Confisque as janelas antes de dormir...

 Com amor... Mah


Após ler estas humildes palavras percebi que tenho uma missão: estou encarregado de entregar este bilhete, mesmo não tendo destinatário. Pela Dona Mah e em nome de tantas pessoas que não têm a coragem de enfrentar o mundo e apenas esperam...




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