O som dos sinos

abril 09, 2013



E aqui volto eu, apenas volto, digo. Sem malas ou pensamentos novos, apenas eu, um corpo, um corvo e um jardim de mortos. Gostaria de pegar uma dessas cabeças jogadas aos meus pés, usa-las como se fosse minha para que ninguém me avistasse, para que eu não me visse; mas o espelho não nega, sua sinceridade chega a doer, pois o morto sou eu, o resto apenas descansa nesse chão de areias gélidas. O sino da igreja toca, mas para quem? Até mesmo o Salvador abandonou essa terra de esquecidos. Mas o sino sempre tocou, tocava tão alto e vibrante, com tanta felicidade que seria impossível prever que um dia essa terra habitada por esperanças se tornaria um campo de batalha entre o divino e o sujo; entre você e eu. Permaneci no mesmo lugar onde tudo começou, fiquei esperando alguma resposta... E logo ela veio. A chuva chegou galopando sobre o vento, cobriu toda essa cidade com mais amargura e agora o sino toca lentamente. Sei que minha hora chegou então me deitei ao lado dos corpos de lembranças e fui beijado pela morte, no final de tudo as águas colocaram sobre mim um manto e disseram sublimemente: “Agora descanse, pobre lembrança, o sino em seu peito logo irá parar”. Então parti desse mundo, para o mais profundo esquecimento.


Jean Carlo tem 18 anos e é de Natal no Rio Grande do Norte, você pode encontrá-lo no facebook. Se você tem um texto ou crônica e quer ver ele aqui no blog, pode entrar em contato pelo e-mail colinadotordo@gmail.com .


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