Diário de um geógrafo

março 11, 2013


Viajei por muitos lugares, avaliei relevos montanhosos e planos, avistei rios que terminavam em oceanos infinitos.
Pilotei sobre florestas que se escondiam dentro de um acolchoado dossel que faziam de meus olhos castanhos, verdes,  era admiração da beleza escondida no sub-bosque.
Fiz mapas, calculei escalas complexas, subescrevi fórmulas para achar pontos específicos em territórios de declive.
Li cartas cartográficas, e entendi cada detalhe, os traços no papel rimavam com a poesia dos desenhos.
 O plano cartesiano era o que me atraía a cada expedição diferente. A bússola o meu mascote.
As coordenadas dadas me faltavam o GPS. Algum sinal de satélite havia se perdido. Talvez fosse pra me levar a algum deserto habitável.
Passava horas e horas tentando focar em algum limite específico.
Eu conversava com as montanhas, elas eram minhas melhores amigas, entendiam como era difícil ser um viajante solitário... Mas ao mesmo tempo não compreendiam porque pra mim não havia descanso, se até as árvores enraizadas dormiam...
Hoje já estou cansado, meus cabelos estão brancos...
Fecho esse ciclo, para não me ausentar do restante do mundo...
Consegui um GPS novo, o sinal está bom...
Dediquei muito tempo em coisas complexas que eram minha vida, mas agora a vida é outra, pois pude perceber que até as árvores enraizadas também descansam...

Você também pode gostar

1 Comentários

Like Us on Facebook

Youtube