A locomotiva

outubro 02, 2012


Entro no vagão, estou em trilhos, olho pela janela vejo árvores acenando para mim,
Estou indo em direção eólica...
Junto com o vapor saído da caldeira vão minhas angustias escondidas e revigoradas pela fornalha.
Não sei em que estação parar, vejo pessoas ingressando e muitas outras deixadas para trás.
Homens, mulheres, jovens, idosos e crianças me intimidam e fixam olhares de culpas inocentes e de sanções exterminadas...
Afundo-me na poltrona, me perdendo em meio à sonolência e ao barulho do vento. Mas culpa de que? Leis para que?
Devo estar sonhando...
Não é sonho, é a realidade que nunca quis enxergar anteriormente...
Talvez esteja apressada querendo chegar a algum lugar, e não deva estar na locomotiva.
Mas quanto vapor!
Distraí-me com as gotículas de água, faz tanto tempo que viajava com as nuvens...
Como o céu está azul! Melhor me individualizar  pra não me desprender...hum...
Continuo olhando pela janela e as árvores acenando pra mim,  estou esperando pela próxima estação.

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1 Comentários

  1. Ando cansada em viajar com as nuvens.

    Sei que o local para o qual meu trem vai não é o que eu quero ir mas tenho medo de descer em alguma estação no meio do caminho e me decepcionar mais ainda.

    Adorei a poesia. Delicada e inspiradora como sempre.

    Thais Vianna
    @dathais
    dathais@hotmail.com

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